Contribuição do estudante de Psicologia Rodrigo Caetano Rahmeier, enviada a mim, texto exato historicamente, conciso e claro:
Partindo de um referencial cronológico, no histórico do modelo clínico da psicologia, o neurologista francês Pierre Janet, em sua obra Neuroses e Ideias Fixas de 1887, mencionou a expressão "psicologia clínica", através do desenvolvimento de métodos clínicos para tratamento de doenças mentais. Na época, Janet trabalhava com Charcot no famoso hospital Salpêtrière em Paris, aonde fazia pesquisas num laboratório de psicologia experimental, conseqüentemente argumentou que a atuação clínica, em relação ao que pelo menos na época entendia-se por neuroses e histeria, deveria ser de direito do médico e não do psicólogo. A medicina do século XIX, definida por Foucault como anátomo-patológica, ou seja, que buscava a localização anatômica como fonte das doenças numa base de perspectiva experimental e científica, havia dominado a função do controle higiênico e social. O mérito todavia pela formulação semântica “Psicologia Clínica”, da maneira como é entendida hoje, é do psicólogo americano Lightner Witmer e data de 1896, o objetivo era uma dupla distinção em relação primeiramente ao que na época entendia-se por psicologia filosófica, ou ainda, uma psicologia não aplicada e de caráter puramente abstrativo, assim como evitar a tendência de se pensar numa psicologia médica, modelo anterior teorizado por Janet. Witmer foi o criador da primeira Clínica de Psicologia da história, enquanto instituição, e junto com outros psicólogos da época que se auto-denominavam “clínicos”, trabalhava com crianças que tinham problemas de aprendizagem, porém já nesse período, procurava-se evitar a tendência médica de um modelo de retardo mental, ou seja orgânico, referente a tais crianças. Interessante o fato de que mesmo naquela época Witmer almejava esclarecer que a área clínica tratava-se de um fazer da psicologia na prática, objetivando tratar e ajudar pessoas com problemas reais, para tanto, era necessário um certo afastamento ou neutralidade em relação ao saber médico vigente da época, no que se referia a patologias, ou seja, antes de seguir qualquer diagnóstico médico, era necessário um estudo da história subjetiva das crianças caracterizadas com déficit de aprendizagem, para então formular estratégias de auxilio ou psicoterápicas. Finalmente, chegamos a figura central da atuação clássica do que hoje conhecemos e entendemos por psicologia clínica e um de seus modelos práticos de atuação, a psicoterapia individual, Freud, que em 30 de Janeiro de 1899 utiliza o termo “psicologia clínica” numa carta a um grande amigo confidente chamado Wilhelm Fliess: “...agora a ligação com a psicologia, tal como se apresenta nos estudos (sobre a histeria), sai do caos. Percebo as relações com o conflito, com a vida, tudo o que eu gostaria de chamar de psicologia clínica”.
Por Rodrigo Caetano Rahmeier.
Abro espaço no meu blog para contribuições de seguidores e leitores
sexta-feira, 15 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Diagnóstico psicológico de crianças, conceituações iniciais
O diagnóstico psicológico de crianças oferece dificuldades maiores do que o diagnóstico psicológico de adultos, por uma simples razão: a criança não tem consciência de seu próprio sofrimento, e por este motivo, não consegue falar diretamente sobre suas angústias. No caso do adulto é diferente. Ele consegue comunicar seu mal-estar. Quando este não sabe, geralmente os familiares, que o conhecem bem, sabem o que está fora do que seria desejável, pois as pautas de conduta do adulto são mais estáveis. Já no caso da criança, isto não ocorre, porque mesmo os pais têm dificuldade de saber se o comportamento do seu filho é esperado ou não, pois este está em pleno desenvolvimento, mudando continuamente. Por este motivo, se no diagnóstico do adulto podemos, por vezes, lançar mão de um recursos que abreviem esta fase, como o exame psíquico, que pode evitar o uso de testes psicológicos, geralmente com a criança é necessário a aplicação de baterias dos mesmos. Também ganha maior relevância a anamnese, ou coleta da história de vida da criança, realizada com os pais ou responsáveis, pois qualquer informação adicional pode ajudar na compreensão do que está ocorrendo com a ela.
Nas próximas semanas, mais posts sobre diagnóstico infantil
Nas próximas semanas, mais posts sobre diagnóstico infantil
domingo, 3 de julho de 2011
História da psicoterapia I: Primórdios da Psicanálise
A partir desta semana, estamos reativando o blog, que terá postagens semanais.
Ele terá série de temas, ou artigos isolados.
Um dos temas que será tratado, será sobre a história da psicoterapia.
Acredito que este tema possa contribuir para o debate, pois os psicólogos tendem a não conhecer a história da psicoterapia, o que faz com que o debate e o diálogo entre nós fique empobrecido.
A psicoterapia contemporânea surge com a psicanálise freudiana.
Apesar dos psicanalistas preferirem o termo análise para designar sua técnica, incluo a psicanálise dentro das linhas psicoterápicas pois ela também é uma forma de tratamento psicológico.
Anteriormente ao surgimento da psicanálise, houve outras formas de tratamento psicológico, como a hipnose de Lieubault e Bernheim, mas o interesse sobre estas técnicas é hoje apenas histórico.
A psicanálise surge dentro de uma contexto social que se caracterizava pelo domínio da burguesia e de uma moralidade centrada na repressão rigorosa à expressão da sexualidade, a chamada moral vitoriana.
Esta repressão se dava de forma mais intensa ao gênero que historicamente tem menos poder, o feminino. Os homens, apesar de teoricamente terem que seguir esta moral, podiam, através de seu poder financeiro e socialmente estabelecido, escapar dela, geralmente levando uma vida dupla.
É sabido que um estado de repressão sexual intensa pode gerar patologias, sendo a histeria de conversão, patologia psíquica onde o paciente apresenta sintomas orgânicos sem comprovação da origem física dos mesmos, uma de suas possibilidades.
Durante a metade do século XIX, a histeria de conversão tomou dimensões epidêmicas. Charcot, neurologista, mestre de Freud, que tipificou cientificamente os sintomas desta patologia, chegou a dirigir uma enfermaria com centenas de histéricas, no Hospital Salpetrière, em Paris.
As histéricas, que acorriam aos consultórios médicos frequentemente, eram consideradas pacientes difíceis e incômodas, e não havia métodos positivos para a cura delas, sendo frequentemente enviadas para tratamentos paliativos como passar períodos em estações hidrominerais, por exemplo.
A hipnose foi empregada como tentativa de cura destes pacientes, já que Charcot havia demonstrado que podia causar sintomas histéricos por este método. O próprio Charcot achava que, apesar da hipnose poder criar sintomas histéricos, ela não seria capaz de removê-los. Mas outros, como Liébault e Bernheim achavam que sim, desenvolvendo terapêuticas através da hipnose para o tratamento destes pacientes.
Coube a um médico vienense, Josef Breuer, atender uma paciente histérica, Bertha Pappenheim, conhecida na história como a paciente Anna O, através da hipnose, com bons resultados terapêuticos, para que a história da psicanálise se iniciasse.
Ele terá série de temas, ou artigos isolados.
Um dos temas que será tratado, será sobre a história da psicoterapia.
Acredito que este tema possa contribuir para o debate, pois os psicólogos tendem a não conhecer a história da psicoterapia, o que faz com que o debate e o diálogo entre nós fique empobrecido.
A psicoterapia contemporânea surge com a psicanálise freudiana.
Apesar dos psicanalistas preferirem o termo análise para designar sua técnica, incluo a psicanálise dentro das linhas psicoterápicas pois ela também é uma forma de tratamento psicológico.
Anteriormente ao surgimento da psicanálise, houve outras formas de tratamento psicológico, como a hipnose de Lieubault e Bernheim, mas o interesse sobre estas técnicas é hoje apenas histórico.
A psicanálise surge dentro de uma contexto social que se caracterizava pelo domínio da burguesia e de uma moralidade centrada na repressão rigorosa à expressão da sexualidade, a chamada moral vitoriana.
Esta repressão se dava de forma mais intensa ao gênero que historicamente tem menos poder, o feminino. Os homens, apesar de teoricamente terem que seguir esta moral, podiam, através de seu poder financeiro e socialmente estabelecido, escapar dela, geralmente levando uma vida dupla.
É sabido que um estado de repressão sexual intensa pode gerar patologias, sendo a histeria de conversão, patologia psíquica onde o paciente apresenta sintomas orgânicos sem comprovação da origem física dos mesmos, uma de suas possibilidades.
Durante a metade do século XIX, a histeria de conversão tomou dimensões epidêmicas. Charcot, neurologista, mestre de Freud, que tipificou cientificamente os sintomas desta patologia, chegou a dirigir uma enfermaria com centenas de histéricas, no Hospital Salpetrière, em Paris.
As histéricas, que acorriam aos consultórios médicos frequentemente, eram consideradas pacientes difíceis e incômodas, e não havia métodos positivos para a cura delas, sendo frequentemente enviadas para tratamentos paliativos como passar períodos em estações hidrominerais, por exemplo.
A hipnose foi empregada como tentativa de cura destes pacientes, já que Charcot havia demonstrado que podia causar sintomas histéricos por este método. O próprio Charcot achava que, apesar da hipnose poder criar sintomas histéricos, ela não seria capaz de removê-los. Mas outros, como Liébault e Bernheim achavam que sim, desenvolvendo terapêuticas através da hipnose para o tratamento destes pacientes.
Coube a um médico vienense, Josef Breuer, atender uma paciente histérica, Bertha Pappenheim, conhecida na história como a paciente Anna O, através da hipnose, com bons resultados terapêuticos, para que a história da psicanálise se iniciasse.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
3 grandes psicanalistas infantis
A psicanálise infantil, apesar de ter em Hermine von Hug-Helmuth sua predecessora, começa como prática reconhecida com Melanie Klein. A psicanalista húngara, que se radicou na Inglaterra a convite de Ernest Jones, partiu das contribnuições freudianas sobre a depressão, a topologia id-ego-superego, as fases do desenvolvimento psicossexual e o o instinto de morte (nestas duas últimos constructos teóricos também utilizando as sugestões de Karl Abraham), para estabelecer seu sistema teórico. Ao mesmo tempo em que utiliza conceitos freudianos, Klein também os modifica, atirbuindo a fases cada vez mais precoces do desenvolvimento, principalmente ao primeiro ano de vida, os acontecimentos psíquicos determinantes da formação da personalidade. Contrariando a grande maioria das escolas psicológicas, pressupõe um ego que já nasce em pleno funcionamento, e que se utiliza da fantasia instintiva para criar seu mundo interno. Retomando o último Freud, dá ênfase ao quantum do instinto de morte como fator constitutivo da personalidade da pessoa, atribuiindo um maior potencial para a patologia ou não ter mais ou menos quantidade de Thanathos.
Donald Winnicott, fez seu treinamento em psicanálise infantil tendo Melanie Klein como mentora, mas sempre procurou manter independência intelectual frente a sua mestra. Winnicott reconhece a importância de Klein para os primórdios da psicanálise infantil, mas descarta a teoria do instinto de morte, atribuindo a fatores ambientais, principalmente à relação entre a mãe e o bebê a origem da patologia. Winnicott também atribui à agressividade, que em Klein apareece como expressão do instinto thanático, um fator positivo no sentido da diferenciação eu-mundo, além de vincular o aspecto fantasioso da psiquê humana ao processo criativo do indivíduo.
Arminda Aberastury, psicanalista argentina, parte do legado kleiniano para desenvolver suas teorias. Porém sofre influênica de Enrique Pichon-Rivière, no sentido de dar importância aos aspectos socias e familiares sobre a patologia da criança. Sofre também influência de José Bleger, que coloca a importãncia de uma posição anterior à posição esquizo-paranóide, a posição gliscro-cárica, na qual o bebê desenvolve uma espécie de simbiose com o ego materno, numa posição de dependência quase absoluta à mãe. Na fase final de sua carreira, dá maior importância ao Complexo de Édipo, como um dos fatores decisivos na formação da criança, porém enxergando o mesmo como um processo que envolve a interação familiar. Em termos técnicos, introduz a hora de jogo diagnóstica (1962) e estuda a importância dos jogos infantis.
Donald Winnicott, fez seu treinamento em psicanálise infantil tendo Melanie Klein como mentora, mas sempre procurou manter independência intelectual frente a sua mestra. Winnicott reconhece a importância de Klein para os primórdios da psicanálise infantil, mas descarta a teoria do instinto de morte, atribuindo a fatores ambientais, principalmente à relação entre a mãe e o bebê a origem da patologia. Winnicott também atribui à agressividade, que em Klein apareece como expressão do instinto thanático, um fator positivo no sentido da diferenciação eu-mundo, além de vincular o aspecto fantasioso da psiquê humana ao processo criativo do indivíduo.
Arminda Aberastury, psicanalista argentina, parte do legado kleiniano para desenvolver suas teorias. Porém sofre influênica de Enrique Pichon-Rivière, no sentido de dar importância aos aspectos socias e familiares sobre a patologia da criança. Sofre também influência de José Bleger, que coloca a importãncia de uma posição anterior à posição esquizo-paranóide, a posição gliscro-cárica, na qual o bebê desenvolve uma espécie de simbiose com o ego materno, numa posição de dependência quase absoluta à mãe. Na fase final de sua carreira, dá maior importância ao Complexo de Édipo, como um dos fatores decisivos na formação da criança, porém enxergando o mesmo como um processo que envolve a interação familiar. Em termos técnicos, introduz a hora de jogo diagnóstica (1962) e estuda a importância dos jogos infantis.
Origens da psicanálise infantil
O primeiro psicanalista que deu ênfase ao tratamento infantil foi o próprio Freud, em1908, orientando o pai de uma criança com fobia, que a história conheceu como Pequeno Hans (pseudônimo), a relacionar-se melhor com o filho, visando a cura de sua patologia. Posteriormente, Feud prestigiou Hermine von Hug-Helmuth, que entre 1916-1924, ano de sua morte, dirigiu a Seção de Psicanálise Infantil da Revista Imago, sendo a primeira psicanalísta a lidar com crianças. Em 1919, Melanie Klein começa a analisar crianças, recebendo forte influência de Karl Abraham, mestre da teoria instintiva dentro da psicanálise. Melanie Klein desenvolve alguns conceitos originais, considerando que as crianças eram capazes de estabelecer transferência, o que lhes permitiu acesso ao tratamento psicanalítico. Melanie Klein também inovou ao usar o brinquedo como principal forma de comunicação entre o analista e a criança. A ênfase na capacidade da criança em em estabelecer transferência diferenciou-a de outra grande analista de crianças, Anna Freud, filha do próprio fundador da psicanalista. Esta considera que a criança não era capaz de transferência com o terapeuta, pois sua libido estaria ainda fixada nos pais. Seu método terapêutico, ganha, por este motivo, um caráter mais educativo do que propriamente terapêutico.
A grande arte refletindo as inquietações existenciais do ser humano
A grande arte, aquela não contaminada pelo mercantilismo ou por personalidades pueris, pequenas, expõe de forma profunda os pensamentos, sentimentos e inquietações sobre a nossa existência. Por este motivo, penso eu, a Psicologia deve estar atenta à arte, pois assim captará os movimentos, dramas e reflexões sobre nossa sociedade contemporânea.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Avatar, ou a culpa da consciência americana pela destruição da Natureza
O filme Avatar está se tornando a maior bilheteria do cinema de todos os tempos. Seu diretor, James Cameron, cria novamente, um enredo em que o avanço tecnológico desenfreado causa o desastre. Este tema já havia sido abordado em outros grandes sucessos do diretor, como por exemplo Allien e Titanic; Apesar da diferença dos gêneros de filme, pois Titanic é uma tragédia romântica, enquanto Allien mistura ficção científica com suspense, e por outro lado Avatar mistura fábula e ficção científica, há um tema comum que os perpassa: a Hybris, ou orgulho vão, do ser humano que acha que chega ao total dominío tecnológico X Natureza que num movimento compensatório, vence esta Hybris. O tema da Hybris tem relação com a ascensão do ego humano que acredita, numa atitude heróica, poder vencer a Natureza. Mas o desfecho é sempre o mesmo: a Natureza mostra-se superior às pretensões heróicas do ser humano. Em Allien a Natureza agredida retorna na forma de alieníginas que devoram seres humanos que partem orgulhosamente para dominar, com suas naves tecnológicas novos mundos. Já em Titanic, o navio que seus construtores diziam que nunca poderia ser afundado, Cameron filme uma remontagem romanceada do que seria a primeira e última viagem do transatlântico mais luxuoso do mundo. Já em Avatar o tema ecológico é explícíto: soldados americanos querem invadir a terra de seres guardiões da Natureza, para poder auferir riquezas e são derrotados. Porém, na última hora o soldado americano deserta e passa a defender a Natureza. Cameron apresenta setores da consciência americana que se sentem culpados frente à destruição da natureza, empreendida principalmente por eles, líderes mundiais do consumo desenfreado de energia.
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